ENGANADOS

NA ESTUFA

TERCEIRA EDIÇÃO 2021 

Contra as falsas soluções para a mudança climática 

Gás de Aterro Sanitário

Aterros sanitários são a terceira maior fonte artificial de metano do mundo, após os rebanhos de gado e o gás natural.1, 2 O gás de aterro sanitário é mais ou menos metade metano e metade dióxido de carbono (CO2), combinados com centenas de contaminantes tóxicos, incluindo metil mercúrio e muitos químicos clorados que podem formar dioxinas altamente tóxicas quando queimadas (ver Incineração de Resíduos). O trítio radioativo cada vez mais está sendo encontrado em gás de aterro sanitário, proveniente de placas de saída de emergência e outras fontes.3 O metano é um gás causador do efeito estufa, 86 vezes mais potente que o CO2 ao longo de um período de 20 anos.4 Ele é produzido quando resíduos orgânicos (restos de comida, produtos à base de papel e madeira, resíduos de quintal, lodo de esgoto etc) se decompõem na ausência de oxigênio. 

Nos Estados Unidos, aterros sanitários maiores são obrigados a capturar seu gás (e geralmente o queimam), mas os sistemas de captura são apenas parcialmente eficazes. Os aterros sanitários alegam que tipicamente capturam cerca de 75% de seu gás,5, 6 mas na realidade a cifra pode ser bem mais baixa.7, 8 Boa parte do gás escapa como emissões fugitivas, causando câncer e outros problemas de saúde nas comunidades vizinhas.
  
Muitos aterros sanitários queimam seu gás em queimadores, ao passo que outros o queimam para produzir calor ou  eletricidade, ou até o purificam e bombeiam para gasodutos de gás natural. Estes esquemas são chamados de Gás de Aterro para Energia (LFGTE – Landfill Gas to Energy). A queima do gás converte a maior parte do metano em CO2, reduzindo drasticamente os impactos em termos de aquecimento global. Embora a queima decomponha alguns poluentes presentes no gás, ela também produz novos poluentes como óxidos de nitrogênio (que causam asma) e dioxinas ultra-tóxicas.10 

 Projetos de LFGTE recebem muitos subsídios estaduais e federais. Formuladores de políticas públicas relacionadas ao clima e à energia são pressionados pela indústria do asseio para subsidiar aterros sanitários e incineradores em vez de apoiar soluções de resíduo zero, como compostagem e reciclagem. Como consequência disso, algumas comunidades chegam a cancelar programas de compostagem para lançar mais lixo orgânico nos aterros sanitários e assim maximizar as oportunidades de LFGTE.11, 12 Quase 90% dos materiais descartados em aterros sanitários e incineradores poderiam ser reciclados ou compostados.13 Tipicamente, os aterros sanitários competem com energia eólica e solar no quesito energia renovável, e acabam absorvendo subsídios que deveriam fluir para essas alternativas mais limpas que não envolvem queima. 
 
Ironicamente, queimar gás de aterro sanitário para obter energia pode ser pior que simplesmente queimá-lo.14 Gerir aterros sanitários como usinas geradoras de energia estimula sua má administração, i.e., para que se tornem mais “gasosos”, ao passo que um sistema apropriado faria o oposto. Restos de comida, resíduos de quintal, e outros materiais orgânicos limpos deveriam ser separados na fonte e compostados aerobicamente. Os materiais orgânicos sujos restantes no lixo acrescidos do lodo de esgoto deveriam ser digeridos anaerobicamente para serem estabilizados antes de ser lançados em aterros sanitários para evitar a geração de metano lá onde o gás é mais difícil de capturar.15 

Energy Justice Network: energyjustice.net/lfg 

Global Alliance of Wastepickers: globalrec.org

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